Tribuna de Bequimão

Vida Difícil dos Meus Conterrâneos Baixadeiros Maranhenses

Por José Lemos

O Maranhão fica numa posição geográfica estratégica entre a parte seca do Nordeste e a região Amazônica. Na vastidão territorial do estado, pode-se identificar em síntese ao menos cinco dos ecossistemas que prevalecem no Brasil: Amazônia, Cerrados, Litoral, Semiárido e Pantanal. O estado apenas não tem características de Mata Atlântica.
Na parte oeste do estado, a que tem características Amazônicas, é que se situa o que chamamos de Baixada Maranhense. Está situado ali o município de Bequimão, onde eu tenho o meu umbigo enterrado no povoado de Paricatiua. Com muita honra.
O PIB per capita dos 24 municípios da Baixada maranhense equivalia a apenas 50% da média anual maranhense, com poder de compra de aproximadamente 70% do salário mínimo. O PIB per capita do Maranhão é o menor do Brasil e equivale a apenas 1,4 salários mínimos segundo se depreende dos dados brutos do IBGE.
Ha Baixadeiros que não gostam de se comparar a Baixada maranhense com o Pantanal. Mas isso é feito apena para mostrar que o Maranhão consegue resumir no seu imenso território praticamente todos os ecossistemas brasileiros. Isso seria uma característica da qual o estado poderia tirar vantagem para iniciar um processo de desenvolvimento sustentado, considerando especificidades de cada um desses ecossistemas. Nada que afronte contra a nossa identidade.
Todos nós sabemos do poder de atração turística que o Pantanal Mato-grossense tem. Justamente porque ali existe uma infraestrutura que inclui a facilidade de deslocamento. O turismo é uma importante fonte de renda para aquela parte do Brasil.
A nossa Baixada tem belezas naturais incríveis. Mas o desafio que eu faço a um turista de qualquer parte do Brasil é: tente conhecer essas inúmeras belezas.
O incauto turista tem duas opções: ir de carro por uma estrada horrorosa, esburacada, arriscando ser assaltado, num trecho que praticamente triplica a distancia da Capital à Baixada.
Mas poderá tentar atravessar em Balsas (chamadas de “Ferry Boat” para imprimir um charme que não têm). Embarcações horrorosas, sucateadas, obsoletas, desconfortáveis, sem o mínimo de segurança para os carros e para os passageiros.
Pagará um taxa de ao menos R$77,00 se o carro for dos menores. Valores que se elevam em progressão quase geométrica, na medida em que os tamanhos e os pesos dos carros crescem em progressão aritmética. Seguramente o maior pedágio do Brasil.
Cada passageiro, com ou sem carro, pagará uma passagem de R$12,00 para uma travessia que dura uma hora e meia. Para efeito de comparação, o valor da passagem dos ônibus em São Luís, que fazem percurso de uma hora e meia é de R$3,10. Detalhe, se o passageiro for estudante, ele apenas terá direito a meia passagem nas barcalas se estiver com um documento de comprovação de residência. Lindo, não?
Para comprar a passagem que dá direito a embarcar, você pode tentar fazer via internet. No site que lhe fornecem você tem dificuldade de contratar, e quando consegue, dificilmente será na hora da sua conveniência. Há a opção de comprar no guichê que fica no Bairro da Areinha. Ali você encontrará funcionários mal humorados que já lhe dizem que apenas poderá comprar a passagem se for com dinheiro e, dificilmente no horário que lhe convém.
Não conseguindo comprar o bilhete lá, o turista terá a opção de ir para uma aventura da “fila de espera”, no ponto de embarque. Ai meu amigo, se prepare para ter horas e, se for num daqueles dias, um dia inteiro de aporrinhações. No dia 17 de julho agora de 2018, eu experimentei na pele isso. Como não consegui comprar a passagem no balcão (que fui na véspera) ou na internet, fui aventurar na tal “fila de espera”. Cheguei as 8:30 da manhã. Embarquei às 18:00. Pior: não tem para quem reclamar.
Para embarcar os carros há um pelotão de ao menos três avantajados rapazes que fazem de tudo para colocar carros no limite da capacidade daquelas barcaças ultrapassadas. Embarcados naquelas geringonças, ninguém explica os procedimentos de segurança, como uso do colete de salva vidas. Quando aquilo começa a andar, há uma barulheira infernal. Tem-se a impressão de que a qualquer momento irá se desintegrar. Uma hora e meia de tensão. Caso aconteça alguma emergência, as portas de saída são estreitíssimas e íngremes. Não há saídas de emergência. Crianças e Pessoas idosas com dificuldades de locomoção, com certeza morrerão pisoteadas numa emergência.
Fazer turismo na nossa Baixada é uma experiência que morre na origem. Uma pena que este seja mais um, entre tantos outros, entraves que a nossa terra enfrenta no cotidiano para a promoção de desenvolvimento. Os brasileiros não terão a oportunidade de conhecerem alguns dos lugares mais bonitos do Brasil, por causa da nossa incompetência. Impressionante.
Aquela gente que mora na Baixada, sobretudo os mais pobres, que é obrigada a ter aquele transporte no cotidiano, está privada de um direito fundamental da cidadania: o de ir e vir no momento que lhe for conveniente. Além de serem explorados pagando um valor exorbitante por cada passagem. Pobre Baixada Maranhense!

0 comentário em “Vida Difícil dos Meus Conterrâneos Baixadeiros Maranhenses

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s